O que é o Mal?
- Taís

- 15 de jun.
- 16 min de leitura
Perspectivas além da Matrix (material Zingdad)
E se o mal não for o que a Matrix e as religiões nos ensinaram?
Hoje mergulharemos em um dos temas mais densos, complexos e, ao mesmo tempo, libertadores da nossa jornada: O que é o Mal?
Através de um diálogo profundo entre Zingdad e mestre 8, desconstruiremos as nossas definições tradicionais de maldade, crimes e atrocidades. Entenderemos como o mal está diretamente ligado à percepção de ter o nosso direito de escolha retirado e como somos confrontados continuamente com a escolha final: continuamos alimentando a separação através do julgamento, ou damos o passo definitivo em direção à Consciência de Unidade, onde o 'outro' nada mais é do que o 'eu'? Preparem-se, porque hoje o caminho nos leva da resposta curta até a resposta mais longa e transformadora.
E se você sente o chamado para aprofundar esses conceitos, debater essas ideias e caminhar ao lado de pessoas que também buscam a expansão da consciência, convido você a fazer parte dos nossos Grupos de Estudo, que se reúnem semanalmente. Para quem está no Brasil, os nossos encontros acontecem às terças-feiras 20h30. E para a nossa comunidade na Europa, nos reunimos às quintas-feiras 19h de Lisboa. É um espaço de troca, aprendizado e acolhimento.
Zingdad: Olá, 8.
8: Olá, meu querido amigo. Sobre o que falaremos hoje?
Z: Puxa, 8, eu ia perguntar isso.
8: Considere uma noite de microfone aberto no Clube 8 (ele sorri). Você escolhe o assunto.
Z: Bem, tem algo... É a questão do "mal".
Você e A-D afirmaram que todos criam sua própria realidade. Você argumentou que todos, por meio de suas escolhas, criam todas as coisas que aconteceram em suas vidas. Mesmo as coisas ruins. Mas isso me fez pensar... Isso significa que não existe algo como o mal? E se existe... O que exatamente seria?
8: Ah, sim. Uma pergunta muito interessante. Você quer a resposta curta ou a resposta longa?
Z: Acho que a curta...
8: Tudo bem então. A resposta curta é:
"Se existe algo como o mal, então é uma oportunidade para aprender sobre o amor."
Z: Só isso?!?
8: Sim. Só isso.
Z: Não, não, não, não, não, não, não. Você não entendeu. Estou falando do Mal, de coisas como pessoas que estão dispostas a cometer genocídio, assassinando populações inteiras por poder, riqueza ou conveniência política, de terroristas que não têm consideração pela santidade da vida e de pessoas que estuprariam, que abusariam de crianças e bebês, sabe? É disso que estou perguntando. Mal de verdade. E os demônios? Eles realmente existem? E possessão demoníaca, existe realmente ? Quero saber disso tudo. Falando nisso, quero saber se existe um ser como Lúcifer, sabe? Satanás... Satã... ele. Ele realmente existe? É disso que eu quero saber. De uma vez por todas, quero saber sobre todas essas coisas sombrias para que eu possa descobrir o que fazer. E por favor, 8... Não me venha com é tudo apenas uma oportunidade para "aprender sobre o amor"! Sério?! Se você estivesse encarnado na Terra, saberia que há algumas coisas muito, muito atrozes acontecendo aqui embaixo!
8: Ah. Entendo. Então, aparentemente, você quer a resposta longa.
Z: A resposta longa?
8: Acabei de dizer que a resposta curta é: "Se existe algo como o mal, então é uma oportunidade para aprender sobre o amor". E não pareceu agradá-lo. Então, vamos à resposta longa. Será, de longe, nossa conversa mais longa até agora. Passará por vários pontos fascinantes e, no final, chegará ao mesmo ponto da resposta curta: "Se existe algo como o mal, então é uma oportunidade para aprender sobre o amor." E quando chegarmos nesse ponto, você desejará saber mais sobre o próprio amor, que será o nosso próximo capítulo: "O que é o Amor?"
Z: Você parece ter certeza de tudo isso.
8: Eu já vi essa discussão de muitas perspectivas. E sei o que esperar.
Então, me parece que você gostaria de abordar duas questões fundamentais. Primeiro, "O que é o mal"? Segundo, "Como responder à presença do mal"? E, por último, você quer saber sobre essa pequena lista de horrores que você criou. Trataremos disso sob o título: "Manifestações do mal". Parece bom?
Z: Obrigado, 8. Sim, parece.
8: Ok, então, vamos começar. Pergunta 1:
O QUE É O MAL?
Precisamos concordar sobre uma definição do mal antes de discuti-lo adequadamente. Caso contrário, podemos ter em mente coisas diferentes e muitos mal-entendidos podem surgir.
Z: Concordo.
8: Bom. Então, o que você acha dessa definição de mal:
"O mal é qualquer ação que parece tirar o direito de escolha de um ser."
Z: Hum... não sei. Não parece muito correto. Meio que ... não me convenceu...
8: Não convenceu?! É evidente que você não deu a devida atenção! Explicarei, mas, para isso, preciso que você cite três ações que você consideraria más.
Z: Três ações más? Está bem. Que tal estupro, assassinato e roubo?
8: Servirão muito bem como exemplo. Comecemos pelo estupro.
Digamos que temos duas pessoas: Pessoa A e Pessoa B. Ambos são adultos de mente sóbria e em plena posse de todas as suas faculdades. Além disso, eles não se conhecem e não tiveram um relacionamento anterior.
Z: Ok.
8: Agora, se a Pessoa A se aproximasse da Pessoa B e dissesse algo como: "Eu realmente gostaria de fazer sexo com você. Você gostaria de fazer sexo comigo também?" Isso seria mau?
Z: Hmmm... não.
Seria um pouco direto demais.
E provavelmente não é a melhor estratégia que já ouvi.
Mas não é mau.
8: Bom. E então, se a pessoa B dissesse: "Não, obrigado", e os dois seguissem caminhos separados, isso seria mau?
Z: Não, obviamente não.
8: E se a pessoa A dissesse "Sim, claro!" e realmente fizessem sexo?
Z: Então os dois seriam muito, muito fáceis (risos).
8: Concordo (ele sorri). Mas ainda assim isso não é realmente mau?
Z: Não, de nenhuma forma que eu possa ver. Dois adultos, que sabem o que querem, concordando em fazer sexo? Isso não é mau. Não é meu estilo fazer sexo com estranhos e eu pessoalmente posso pensar em vários motivos por que seria uma má ideia. Mas sou eu. Se há duas pessoas por aí concordando , então é coisa deles. Mas certamente não é mau.
8: Agora vejamos o que acontece quando removemos o elemento de escolha de um dos participantes. Agora a Pessoa A se aproxima da pessoa B e não oferece à pessoa B nenhuma escolha, simplesmente coagindo a pessoa B a fazer sexo sem consentimento, à força ou sob ameaça. Isso é mau?
Z: Isso é estupro. E sim, acho que isso é mau.
8: Bem, então, esse é exatamente o meu ponto. Não é o ato que é mau. É o fato de alguém sentir que não teve escolha. Isso é o mal.
Z: Ah, sim. Vejo seu ponto.
8: E exatamente o mesmo pode ser feito com todos os outros atos que você definiu como maus. Para ilustrar ainda melhor, vejamos outra ação que você listou: assassinato.
E se a Pessoa A se aproximasse da Pessoa B e dissesse: "Você gostaria que eu encerrasse sua conexão com seu corpo?"
E a Pessoa B respondesse: "Sim, por favor". E aí?
Z: Hmm. Isso seria estranho.
Posso até imaginar uma circunstância assim. Se a Pessoa B, por exemplo, tem uma doença terminal e sofre uma dor insuportável e a Pessoa A, por compaixão, se oferece para ajudar a Pessoa B a morrer. Esse tipo de coisa acontece às vezes. É chamado de suicídio assistido.
8: Na cultura em que você habita atualmente, existem muitos tabus em torno da morte e do morrer que surgem da poderosa ilusão de que a morte é o fim, de que você acaba. Outras culturas em seu planeta sabiam que a morte é simplesmente uma transição, como dormir antes de acordar novamente, expirar antes de inspirar de novo. Essa visão também predomina em culturas mais avançadas em outros planetas. É uma perspectiva mais benéfica, pois permite ser rigidez e medo em torno da noção de morte. Nessas culturas, se acontecer de um ser sentir que seu caminho seria melhor com sua partida do plano mortal, esse ser pode encontrar uma maneira de partir por conta própria ou pode ser ajudado. Sua morte pode até ser um grande ritual de celebração onde alguma "pessoa sagrada" é responsável pelo término da conexão com o corpo. Tais coisas pareceriam abomináveis para a maioria em sua cultura, mas somente porque seu contexto é principalmente de um medo desesperado da morte. No contexto de outras civilizações, pode ser algo bonito e glorioso.
Z: Muito interessante, 8. Posso imaginar.
8: Mas não é assim na sua cultura, onde escolher encerrar sua conexão com seu corpo raramente é visto como uma escolha aceitável, não?
Z: Realmente, não é. Na verdade, o suicídio é considerado crime em muitos países. Sempre achei isso estranho. Digo, como punir um "criminoso" que acabou de se matar? Mas, de qualquer forma, como resultado desse tabu, o suicídio assistido é um daqueles imbróglios legais e éticos. Em alguns países, é legalmente permitido e, em outros, não. E certamente há considerações éticas que precisam ser abordadas.
8: Realmente precisam? Bem, vá em frente e aborde todas que quiser. Quanto a mim, tenho bastante clareza sobre o que considero certo. A este respeito, como em todos os outros, minha posição é a seguinte:
Seu Direito de Escolha
Quem quer que você seja, em qualquer situação, acredito que você tem o direito de escolher por si mesmo.
Acredito que é seu trabalho saber o que é certo para você. Portanto, ninguém deve lhe tirar seu direito de escolha.
Se você sentir que precisa de conselhos ou orientação para fazer qualquer escolha, então pode solicitar ajuda a quem considerar mais sábio e mais bem informado. E eles têm o direito de concordar em ajudá-lo, de se recusar ou de pedir uma compensação justa. Se eles concordarem, eles devem assumir a responsabilidade por sua ajuda.
Se você está de alguma forma incapacitado e, portanto, não está em posição de escolher, então os que você mais ama devem escolher por você e devem assumir a responsabilidade por sua escolha.
Se você está de alguma forma incapacitado e descobre que não pode criar suas escolhas por si mesmo, então você tem o direito de pedir a alguém que considere competente para ajudá-lo a criá-las. E essa pessoa tem o direito de concordar em ajudá-lo, recusar-se ou pedir uma compensação justa. E devem assumir a responsabilidade pela ajuda que prestar.
E isso é o certo para mim. E não tenho dúvidas porque, simplesmente, é o que quero para mim agora e que gostaria para mim se eu estivesse encarnado em um sistema como o seu. Em todas as situações, eu sempre gostaria de poder escolher por mim mesmo. Eu nunca gostaria de ficar à mercê de algum sistema - legal ou não - para decidir o que é melhor para mim. Um sistema jurídico se preocupa comigo? O que ele sabe sobre minha situação específica e minhas experiências? Nada. Sistemas jurídicos e similares deveriam ser o último recurso, quando tudo o mais falhar, não o primeiro.
Z: O que você diz parece certo e válido para mim. Concordo. Obrigado, 8.
8: Fico feliz que você encontre valor nisso. Mas o ponto original dessa perambulação intelectual era, na verdade, abordar a questão da morte quando há uma escolha envolvida. Se lhe for oferecida a opção de ter alguém que acabe com sua vida e você tiver o direito absoluto de aceitar a oferta ou rejeitá-la... então...
Z: ...então eu concordo, isso não é mau. Estou contigo nessa. Também digo que sempre gostaria de ter o direito de escolher por mim mesmo. E, portanto, gostaria de conceder a outros o mesmo direito de escolha. Isso não é mau. Isso é moral e correto. Essa também é a minha posição.
8: E todos os outros podem decidir por si mesmos?
Z: Sim. Claro que eles fazem suas próprias escolhas. Contanto que suas escolhas não tirem meu direito de escolher por mim mesmo.
8: Hmm... sim... Escolhas. Você vê a beleza disso? Se dizemos que tirar o direito de escolher é mau, então oferecer a alguém mais e mais opções é... o que?
Z: Bem, se tirar o direito de escolha de alguém é mau, então oferecer a alguém mais opções seria o oposto do mal.
8: É uma boa resposta.
Z: Mas qual é o oposto do mal? O Amor?
8: É difícil responder a esta pergunta porque, da minha perspectiva, o mal é uma experiência temporária e ilusória e o Amor é uma força muito poderosa, muito real e eternamente válida. Eu diria que o amor é certamente a resposta correta ao mal. O amor é o que extingue o mal. Mas é o oposto do mal? Não.
A coisa mais próxima que posso nomear como o oposto do mal teria que ser "escolha" ou talvez "criação".
Z: Ok. Era apenas uma curiosidade.
8: Sigamos em frente com o ponto final desta pequena parte da discussão. Você listou o roubo como o terceiro ato do mal. Então, vamos dar uma olhada.
Como seria se a Pessoa A perguntasse à Pessoa B: "Posso ficar com sua televisão e seu aparelho de som, por favor?"
Certamente não há nada de mal nisso, não?
Z: Acho que não. Se a Pessoa A concordar com o pedido da Pessoa B, então seria um presente. Não seria mal, seria apenas generosidade. E se a Pessoa A dissesse: "Não", e a Pessoa B aceitasse e seguisse seu caminho, então também não haveria mal nenhum.
8: Isso mesmo. E podemos jogar com tantos exemplos do que você chamaria de maus comportamentos quanto você quiser. O ponto principal sempre será que o mal só é percebido quando a escolha parece ser removida. Coloque a escolha de volta e não há mal.
Z: Entendo. Obrigado, 8. E obrigado também por sua paciência com a explicação. Eu certamente posso ver sua perspectiva de que o mal é a remoção do direito de escolha. Mas não tenho certeza se essa é toda a história. Quero dizer... Que tal uma definição diferente como "o mal é o desejo de causar um grande dano a outro " ou "o mal é o dano por si só" ou algo assim?
8: Entendo seu desejo de enquadrar o mal em termos de algo "errado" como "causar dano", mas o problema é que tal definição simplesmente não resiste ao escrutínio. Se eu desejo lhe causar mal, mas em vez de apenas fazê-lo, eu primeiro lhe pergunto e você concorda, então ...
Z: Bem, então acho que seria como todos os seus exemplos acima. Se eu concordar, então não é mau. Se eu tenho o direito de dizer "não", e você respeitar, então obviamente ...
Ok. Se há uma falha em seu argumento, realmente não consigo vê-la. Aceito sua definição de "o mal é a remoção do direito de escolha do outro".
8: Ok, bom. Exceto que você deixou passar uma coisa. Eu disse:
"O mal é qualquer ação que parece tirar o direito de escolha de um ser."
A parte do "parece" é muito importante. Significa que eu não posso realmente tirar o seu direito de escolha. Ninguém pode fazer isso. Não de verdade. Mas você e eu podemos concordar em criar essa ilusão.
Z: Ah, sim. Até o momento fui exposto o suficiente a esses conceitos para ver para onde isso vai. É a coisa de vítima / agressor tudo de novo, né? Eu não posso realmente ser sua vítima. Só posso ter a ilusão de que sou.
8: Agora você está entendendo.
Z: E no capítulo anterior você disse que a incerteza é o que nos apresenta escolhas; que as escolhas eram criação, crescimento e vida; que quando há certeza absoluta, não há mais escolhas e, portanto, não há mais vida. E uma vez que todos nós somos parte do UM e nenhum de nós pode ser destruído, isso não é possível. Então, para concluir, se é verdade que nunca poderei ter certeza absoluta, então, da mesma forma, também deve ser verdade que nunca podem tirar meu direito de escolha!
8: Bom! Então você vê como todos os conceitos se unem, como todos se interrelacionam e formam um todo consistente e congruente?
Essa é a natureza da verdade sobre a qual você me perguntou no Capítulo 8.
Z: Eu começo a sentir isso agora.
8: Excelente. E esse sentimento é a sua verdade. Aquele sentimento de que está certo, quando tudo se soma e está em equilíbrio e harmonia em seu ser... Essa é a sua verdade dizendo "sim". Você tropeçou nisso algumas vezes. Anteriormente, você confundia seus desejos do ego e sua excitação com sua verdade. E foi necessário. Você precisava ver esse erro e aprender com ele. E então você escolheu diferente: sempre encontrar a verdade do seu coração, honrá-la e respeitá-la. E aqui estamos. Agora você está realmente encontrando sua verdade dentro de si mesmo. É essa sensação de que tudo está certo dentro de você.
Z: Entendi, 8. Obrigado. Mas desviamos um pouco do caminho.
8: Na verdade, não. Voltaremos à "sua verdade" em breve. Por enquanto, acabamos de descobrir que ninguém pode realmente tirar seu direito de escolha. Mas podemos, é claro, compartilhar uma ilusão na qual posso parecer tirar de você o seu direito de escolha.
Z: Então, o mal é ilusório?
8: Sim, esta é a minha perspectiva. Dentro desta realidade que vocês atualmente habitam, vocês parecem experimentá-lo. Parece muito real para vocês. Mas ainda é apenas uma ilusão. Deixe-me dizer uma verdade sobre o bem e o mal:
"Não há nada que seja bom ou mau por si só, mas sim a forma como você se sente sobre isso."
Z: Você está dizendo que nada é intrinsecamente mau. Nada mesmo. Mas algumas coisas ainda podem parecer más para mim?
8: É exatamente o que estou dizendo. Ou posso reformular assim:
o mal não existe objetivamente, mas certamente pode ser experimentado subjetivamente.
Z: Ãhhn... Essa é outra maneira de dizer que posso sentir que estou experimentando o mal, mas isso não significa que ele realmente exista?
8: Correto.
Z: Ok, uau. Eu realmente não sei o que fazer com essa informação. Porque posso entender intelectualmente. Vi o argumento e até senti como verdade em meu coração, mas ... Não sei se ainda estou disposto a aceitar que toda a maldade e vileza, todas as atrocidades que já foram e que continuam a ser cometidas são... o que? Uma ilusão acordada e cocriada?
8: Entendo. E é por isso que precisamos dessa conversa. Porque você precisa ver desta maneira antes de poder ascender à Consciência de Unidade. Então, eu lhe apresento uma escolha: por um lado, você pode escolher continuar a rotular certos seres e seus comportamentos como maus e, ao fazê-lo, você pode se manter distanciado e separado deles, para que você possa permanecer em um estado de julgamento e se sentindo superior a eles. Por outro lado, você pode escolher entender que ninguém é verdadeiramente "outro", que nada é eternamente indigno de amor ou imperdoável.
Z: Essa é a escolha? Se eu não quiser ver assim, não posso ascender à consciência de unidade?
8: Essa é a verdade. Como em tudo, você sempre tem escolha. Desta vez, sua escolha é entre a consciência da unidade e a consciência da dualidade (ou separação). Entenda que não há escolha certa ou errada, nem nenhum julgamento pelas suas escolhas. Mas o que você escolhe define quem você é e cria a realidade que você experimentará. Você simplesmente não pode se tornar um ser de Consciência de Unidade e residir em uma realidade de unidade sem estar disposto a ver tudo como Um, ver o "outro" como "eu" e largar os mecanismos da separação, como o julgamento e o ódio.
Veja, meu querido amigo, esta é a escolha que a dualidade lhe oferece. Você pode aceitar a oferta da dualidade e continuar a se ver como separado de tudo o mais e viajar sempre no caminho da separação, com o motivador do medo. Ou, você pode escolher o amor. Se você escolhe o amor, você entra no caminho da unidade. Você começa a viajar de volta para o Lar, para a unidade. Também é verdade que vocês podem, por algum tempo, percorrer o caminho do amor enquanto ainda se apegam à ilusão da separação. É o que acontece com quem escolhe ser "Serviço aos Outros" ou "Serviço a Si Mesmo". E tudo bem se você escolher isso. Mas, mais cedo ou mais tarde, esses caminhos também convergirão e esses seres perceberão que os conceitos de Outro e Eu não são o que eles pensavam inicialmente. Que, de fato, existe apenas a unidade.
Se você acompanhar o que digo, entenderá que parece haver muitas opções e escolhas possíveis em seu caminho. Mas, na verdade, não. Na verdade, há apenas uma escolha.
Ou você aceita tudo como sendo um, ou você cria mais separação.
A escolha é sua. E você não pode ir na direção de ser Um com Tudo O Que É, enquanto ao mesmo tempo ainda mantém a visão de que alguns seres são tão desprezíveis e não merecedores de amor que você pode simplesmente se recusar a aceitá-los como parte da unidade e rotulá-los de "maus" e, assim, condená-los à escuridão eterna.
Ou tudo é um. Ou não é. A escolha é sua.
Z: Você explicou isso muito bem, obrigado, 8. Eu entendo agora. Devo escolher entre duas ideias. De um lado, há a ideia de que certos seres estão além de qualquer possibilidade de serem amados. E assim rotulamos a eles e suas atividades como maus. Do outro lado, há o entendimento de que tudo isso é apenas um estado ilusório temporário. E que todos os seres são inerentemente dignos de amor e fazem parte de Deus. Que eu sou verdadeiramente um com todos os seres e todas as coisas em todos os lugares.
8: Sim. Essa é a escolha.
Z: Bem, então, eu escolho a unidade.
8: Isso é bom. Mas se você fizer essa escolha sem entusiasmo, não tem valor. Você deve fazê-la completa e verdadeiramente do coração antes que mude sua experiência de vida.
Z: Eu entendo e estou pronto para essa escolha. Você me ajudará a liberar os últimos vestígios das crenças e escolhas que me mantêm no caminho da separação?
8: Sim. Por isso escolho conversar sobre o mal hoje.
Z: Por que você escolhe?! Este tópico foi minha escolha!
8: Sim. Exatamente. Você entenderá isso em algum momento.
Z: (Eu sorrio e balanço a cabeça) Ok, então deixe-me resumir o que entendi sobre o mal:
Quando sinto que tiraram minhas opções, sinto como se me fizessem mal. Mas são situações ilusórias. Ou seja, eu realmente escolhi a experiência de ter minhas escolhas tiradas de mim e posso, de fato, sempre fazer outras escolhas, não importa como pareça para mim na época.
8: Sim. E o fato de você experimentar esse mal significa que você provavelmente está trabalhando muito para acreditar que não tem outra escolha a não ser experimentá-lo. Isso é o que você escolheu. Você, como criador, criou a ilusão de que não é um criador. E você, como uma parte inseparável da unidade, criou a experiência de que você está completamente separado e sozinho.
Z: Ufa! Que paradoxo, hein, 8?
8: Sim. Mas isso não é consistente com a maneira como o universo seria se você fosse de fato o criador de sua própria realidade?
Z: É.
8: E o contrário também é verdadeiro. Se você estiver preparado para começar a escolher que você é um com todos, como você escolheu agora, então algo interessante aconteceré: à medida que você escolhe isso, isso se manifesta mais em sua realidade, então, com o tempo, você deixará de experimentar o mal.
Z: Sério? Escolhendo a unidade deixo de experimentar o mal?
8: Sim. Na medida em que você sabe que é verdade que você é realmente um com Tudo O Que É, na mesma medida você deixará de experimentar o mal. Você só pode experimentar a ilusão do mal enquanto reside em um estado de separação, de dualidade. Uma vez que você se lembra de sua unidade intrínseca, então você não pode experimentar o mal sendo feito a você, nem pode contemplar fazê-lo a outro. É somente no estado de separação ou dualidade que você pode experimentar as ações de outro como más, ou mesmo contemplar fazer o mal a outro ser.
Z: Você pode explicar isso, 8?
8: Certamente. No nível da unidade, é impossível para mim me propor a fazer qualquer mal a você.
Z: Por que, 8?
8: Precisamente porque eu sei que você e eu somos um! Veja, todos os seres que residem na consciência de unidade, experimentam diretamente tudo o que fazem ao outro como sendo feito a si mesmos. Se eu machucar você, instantaneamente, com essa mesma ação, eu também me machuco na mesma medida. Na verdade, a dor que causo a você é também a dor que causo a mim mesmo. Isso é o que acontece no nível da consciência de unidade. E, como não desejo me machucar, não tentarei machucá-lo.
E assim fechamos a primeira parte do capítulo 10, com o título O que é o Mal? Texto original em inglês do Livro 1 dos Documentos da Ascensão https://zingdad.com/publications/books/the-ascension-papers-book-1
Mas sabemos que digerir esses paradoxos e aplicar a Consciência de Unidade no nosso dia a dia nem sempre é um caminho simples de se trilhar sozinho. É por isso que eu reforço o convite para você não parar por aqui. Se você quer estudar mais a fundo esse material, com gente bem legal espalhada por várias cidades e países, vem conferir nossos Grupos de Estudo: https://www.akashemoto.com.br/estudo
Nos reunimos semanalmente para debater esse material, compartilhar experiências e acolher uns aos outros em um ambiente seguro.
Se você está no Brasil: Nossos encontros acontecem todas as terças-feiras, às 20h30.
Se você está na Europa ou prefere estudar à tarde no Brasil: nos reunimos às quintas-feiras, às 19h00 Lisboa, que são 15h no Brasil.