Prova religiosa da Unidade, por Zingdad
- Taís

- 23 de mar.
- 13 min de leitura
Neste diálogo filosófico sobre a Unidade, Zingdad e seu Eu Superior, Alegria-Divina, argumentam que se Deus possui atributos como onipotência, onisciência e amor incondicional, Ele deve necessariamente vivenciar a existência através de cada ser vivo, ao invés de ser um observador externo. Essa perspectiva redefine a divindade como uma essência sem gênero e onipresente, rejeitando conceitos tradicionais de blasfêmia e punição divina em favor do livre-arbítrio. A busca pelo autoconhecimento é descrita como o caminho fundamental de autodescoberta de Deus.
Para quem prefere ouvir, o texto está no vídeo abaixo:
Zingdad: A-D, imagino que não vamos "provar" a unidade de tudo além de qualquer dúvida do ponto de vista religioso, não?
Alegria-Divina: Não, você está certo. Não importa a abordagem, as pessoas sempre terão o direito e a capacidade de duvidar ou de escolher outra coisa. Definitivamente, não se trata de silenciar outras opiniões. Trata-se de apresentar uma visão que você e seus leitores possam escolher aceitar, se ela ressoar com seu coração. Já abordei isso anteriormente sob a perspectiva ateia/ científica, não porque eu queira de alguma forma atacar ou persuadir as pessoas. De jeito nenhum. Simplesmente porque é necessário um ponto de partida para um argumento coerente. E farei isso novamente agora. Falarei sobre o mesmo argumento sob outra perspectiva - da religião organizada. Para meus propósitos, dividirei as religiões em dois grupos: dos que veem Deus como separado do eu e dos que veem o eu como um com Deus. O último grupo já concorda com meu ponto, então, para os propósitos desta conversa, podemos simplesmente deixá-los de lado. Usarei então a primeira crença como ponto de partida: a visão de que existe um Deus, mas que Deus está separado ou fora da Sua criação.
Gostaria de fazer algumas observações: se alguém já acredita em um Ser Supremo Criador onipotente, então eu poderia afirmar que, sendo onipotente, o Criador Supremo pode fazer o que Isso quiser, certo?
Z: Hum. Um minutinho, por favor. Não estou muito satisfeito com o rótulo "Isso" para Deus.
A-D: Sim. Eu sei. Sinto muito. Você tem associações culturais de que "Isso" é de alguma forma inferior a Ele ou Ela. Bem, receio que não cederei a essas associações. O Criador Supremo não tem gênero. Está muito, muito além dessas questões mesquinhas. Ao mesmo tempo, tem os dois gêneros, nenhum deles, e está muito além do gênero. Então, até que exista uma palavra melhor na sua língua que signifique: "Ele, Ela e Isso e qualquer outro gênero que possa existir em toda a criação, e todos eles, e nenhum deles", seguirei usando "Isso". Que é exatamente o contrário de ser pejorativo. Restringir Deus a um gênero é muito mais depreciativo na minha visão. Mas, para não ofender sensibilidades, usarei o "I" em maiúscula na palavra "Isso". Ok?
Z: Sim, perfeito, obrigado. Mas como que eu já interrompi com detalhes... e o rótulo "Deus"? Digo, não implica uma perspectiva religiosa? Não deveríamos talvez dizer "Fonte" ou... Algo menos restritivo?
A-D: Ooooook. Vamos rapidamente resolver isso também. Nenhum nome ou rótulo que você possa inventar será suficiente. Um rótulo é, por sua própria natureza, redutor. Exclui tudo que não for isso. Nenhum rótulo jamais descreverá Deus porque Deus é tudo e ainda mais. Deus está além da compreensão e descrição. Então provavelmente deveríamos simplesmente ficar em silêncio sobre todo o assunto de Deus, porque tudo o que você disser sobre Deus será uma redução da verdade. Sem nomes, sem descrições, sem tentativas de entender. Mas isso seria tolice. Certamente deveríamos ao menos tentar compreender Deus com o que temos, começar e continuar melhorando nossa compreensão à medida que nossas habilidades de compreensão aumentarem. E já que vocês no planeta Terra usam a linguagem para se comunicar e desenvolver seus pensamentos, precisamos encontrar alguma palavra para Deus. Se proibirmos todas as palavras, então não podemos falar sobre Isso. E se criássemos um termo descritivo, seria ainda pior, pois seria ainda mais restritivo. Então, para que a conversa aconteça, eu simplesmente escolho o nome que tem maior ressonância na cultura que você habita atualmente. Se eu falasse do Poderoso Zilagzog (ou qualquer outro nome inventado), você diria "quem?" Mas se eu falar de Deus, então você saberá de quem falo, mesmo que depois eu precise esclarecer qual é minha visão sobre Deus. Que é exatamente o que estou fazendo agora. Se sua visão de Deus é que Isso é separado do resto de nós, então digo que a minha visão de Deus é que Isso é UM conosco e com Tudo-o-Que-É. Então usarei o nome "Deus" e, com o tempo, você entenderá o que quero dizer. Se seu leitor preferir outro termo, então peço humildemente a sua tolerância nesse assunto.
Z: Ok, entendi. Obrigado pelo esclarecimento e peço desculpas pela interrupção. Podemos, por favor, retomar de onde paramos?
A-D: Sim, certamente. Eu disse que, se Deus é onipotente, então pode fazer o que quiser e criar o que quiser, certo?
Z: Certo.
A-D: Então, se tal Ser quisesse experimentar o mundo da sua perspectiva, Isso poderia. Na verdade, Isso poderia, se quisesse, experimentar o mundo pela perspectiva de cada ser vivo ao mesmo tempo, não?
Z: Sim. Acho que a palavra "onipotência" basicamente significa que você não está restrito. Você pode fazer qualquer coisa. Incluindo, com certeza, ver tudo de todas as perspectivas.
A-D: Então a única questão seria se Deus desejaria isso. Deus desejaria ver as coisas exatamente como você (e todo mundo) vê ou gostaria de ver a Criação de "cima" ou de uma posição "separada"? Responderei assim: qual é a perspectiva mais amorosa que Deus poderia adotar? De qual perspectiva Deus teria mais amor e compaixão por você? Claramente, para que Deus realmente compreenda você, Deus precisaria estar disposto a experimentar a vida como você. Caso contrário, Deus ficaria fora de você, olhando para todas as suas pequenas falhas e tropeços, e só veria você como falho e quebrado. Mas se Deus experimenta o mundo através de você, como você, certamente Deus não pode ter nada além de compaixão e amor por você. Então lhe apresento uma escolha: você acredita que Deus é amoroso ou não? Eu afirmaria fortemente que Deus é amor. E apresento a simples verdade de que a escolha mais amorosa para Deus é não se ver como separado de você. Mas se Deus escolhesse ver as coisas apenas pelos seus olhos, ainda sabendo que é Deus, então não seria sua perspectiva. Sua perspectiva é exatamente como se apresenta para você. A coisa mais amorosa que Deus pode fazer é manter exatamente sua perspectiva também. Portanto, Deus experimenta o mundo através de você, como você! Mesmo quando você não sabe da existência de Deus ou não acredita em Deus ou qualquer outra coisa. Deus ainda está em você. E em todas as outras perspectivas possíveis. Portanto, Deus não entra apenas em perspectivas piedosas e "divinas" quando elas se comportam bem! Não. Isso seria amor condicional. E estou dizendo que Deus é amor incondicional.
Z: Você diz isso, mas pode provar... que Deus nos ama incondicionalmente?
A-D: Novamente, só posso apresentar um forte argumento. Você acreditará no que quiser. Mas se você acredita que Deus é onipresente e onisciente, então por definição você está concordando comigo.
Z: Hã? Como?
A-D: Onipresente significa presente em todos os pontos. Não há lugar onde Deus não esteja. Incluindo, obviamente, onde você está. Agora, se você ampliar sua compreensão sobre a localização, entenderá que não está apenas geograficamente no seu local atual, mas também espiritualmente aí. Você está espiritualmente onde está como resultado das crenças e ideias que tem sobre si mesmo, a vida e Deus. Bem, Deus é onipresente. Isso significa que Deus também está exatamente nesse local com você e em todos os outros lugares, com todos os outros seres e coisas em Tudo-o-Que-É.
Z: Hmm. É um bom ponto.
A-D: E onisciente significa "ciente de tudo". Você sabe como é ser um cachorro?
Z: Não... Na verdade, não.
A-D: Mas você tem cachorros morando na sua casa. Você os ama como filhos. Você observa tudo o que eles fazem e frequentemente estuda suas interações e processos com grande interesse. Por que você não sabe como é ser um cachorro?
Z: Porque eu sou humano! Não tenho conhecimento de já ter sido um cachorro!
A-D: Ah ha! Para realmente saber como é ser alguém, você precisa ser essa pessoa. Caso contrário, você só sabe algo sobre esse ser. É o mesmo com Deus. Se Deus é verdadeiramente onisciente, então Deus não pode apenas conhecer você. Se Deus lhe observasse de fora, então Isso nunca realmente saberia como é ser você. Então, em vez disso, Deus é você.
Z: Mas... não é uma posição ridiculamente egocêntrica – que eu sou Deus? Digo, Deus é tão grande e...
A-D: Não. Não seria egocêntrico reivindicar para si mesmo aquilo que você também reivindica para todos. Na verdade, afirmo o mesmo para cada animal, planta, inseto, pedra, molécula, átomo... Você entendeu a ideia. Dessa perspectiva, estou dizendo que você é tão grande quanto o universo, mas também tão grande quanto uma ameba. Isso soa como egoísmo? Essa posição não faz de você nem mais nem menos do que qualquer outro ser no Tudo-o-Que-É. Mas torna Deus muito maior.
Z: Como assim?
A-D: Obviamente, um Deus de perspectivas infinitas que está em todos os lugares, sabe de tudo, tem poder e habilidade infinitos é maior do que um Deus que só tem algumas perspectivas e só pode viver fora de você até que você faça coisas "boas e sagradas".
Z: Hmm. É outro bom argumento.
A-D: Então, apresento um dilema. Se Deus é onipotente e se Deus é amor, então parece que Deus deve ser um com você. E se Deus é onisciente, então Deus deve ser um com você. E se Deus é onipresente, então Deus deve ser um com você.
Então, agora a escolha é sua. Você quer abrir mão da sua crença nesses atributos de Deus? Você prefere acreditar que Deus é menos do que essas coisas? Você diria que Deus não é onipotente, não é amor, não é onisciente e não está onipresente? Ou deseja aceitar a inevitável verdade de que Deus é um com tudo... incluindo você e, claro, cada um dos seus leitores?
Z: Tenho certeza de que existem outros argumentos.
A-D: Você tem razão! Sempre há outros argumentos porque sempre há espaço para dúvidas ou para criar outra visão. É sua escolha de livre arbítrio entrando em campo. E se esse é o caminho em que seu coração está lhe levando, então você deve, claro, seguir sua própria verdade. Não estou aqui para dizer qual deve ser sua verdade. Estou aqui para contar qual é a minha verdade. Eu apresento meu argumento. Aí você pode decidir.
Z: Não, espera um minuto. Quis dizer que você apresentou um argumento bastante forte de que Deus tem todas as perspectivas. Concordo que isso pode significar que Deus é capaz de saber exatamente como é ser eu e ter vivido as coisas exatamente como eu vivi e tudo mais. Mas isso não é a mesma coisa que dizer que Deus é um comigo.
A-D: Como não?
Z: Bem, hmm... e se Deus meio que tivesse me acompanhado na minha mente... Sabe?
A-D: Não. Ou Deus é você vivenciando sua vida exatamente como você está vivenciando, ou a experiência de Deus da sua vida é diferente da sua. Não dá para ser as duas coisas. Não importa quão pequena seja a diferença, qualquer separação quebraria as regras da oniciência e onipresença. Mas, como eu disse, se quisermos, podemos continuar dando voltas e mais voltas e encontrando pequenos pontos para debater.
Z: Não. Aceito o que você diz. Faz todo sentido e realmente ressoa também com meu coração. Mas há algo que não consigo entender: por que Deus faz isso? Parece uma coisa elaborada demais para se fazer... criar todo este universo e preenchê-lo com sabe-se lá quantos trilhões de partículas de Você mesmo e nenhuma delas sabe que são Você. Por que todo esse esforço? Para que tudo isso?
A-D: Lembra da parábola no Capítulo 3? Aquela sobre o rei que bebeu a poção do esquecimento? Bem, é um pouco assim. Deus está envolvido em um processo interminável de autocriação e autodescoberta.
"Como seria se eu fosse assim?" é uma pergunta que cria um novo ser... Ou um universo totalmente novo. A jornada para o esquecimento, que acontece aqui nesta realidade, é um dos possíveis meios de autodescoberta. A pergunta "Como seria se eu não soubesse quem ou o que eu realmente sou?" leva a várias realidades. Essa é uma delas. A realidade é a questão. E vocês, cada um de vocês, são uma resposta possível.
"Eu sou o que acontece a Deus nessas condições" é a resposta que você está devolvendo.
Z: Ok... então eu e todos nós somos um com Deus. E estamos envolvidos em uma jornada de autodescoberta. Ao me envolver na minha própria jornada pessoal de autodescoberta, trago mais autoconhecimento para todos.
A-D: Ótimo! Sim! Se você quiser descobrir Deus, o melhor lugar para começar é descobrindo a si mesmo.
Z: Hmm. Sigo a lógica, mas... parece muito... digo... Algumas pessoas não vão achar isso um pouco blasfemo?
A-D: Ah, com certeza! E há quem ache a própria ideia dessa conversa blasfema. Procure com atenção suficiente e você encontrará alguém que rotulará apenas ser feliz como blasfemo. Portanto, não posso me preocupar com o que os outros escolherão pensar ou acreditar. Para mim, acho todo o conceito de blasfêmia sem sentido. É ridículo pensar que você é capaz de ofender Deus ou ferir seus sentimentos. Mas você certamente pode ter crenças e opiniões que podem prejudicar você. Por exemplo, ter pensamentos de ódio sobre Deus faz isso. Mas, dado tempo suficiente e um pouco de orientação amorosa, todos os seres acabam decidindo que não gostam de se machucar e então param de fazer isso e escolhem algo mais construtivo, que lhes traga paz, amor e alegria. E amar a Deus certamente fará isso. Deus sabe disso. Deus vê você como você realmente é. Você não pode fazer ou dizer alguma coisinha passageira que possa ofender Deus. Na verdade, é totalmente impossível porque Deus, sendo infinito, é literalmente maior do que isso.
Z: Então, o que é blasfêmia? Se Deus não pode se ofender, por que temos essa palavra?
A-D: A noção de blasfêmia é uma ficção usada por alguns para controlar outros através do medo. Remonta aos tempos mais antigos, quando xamãs e curandeiros diziam à tribo que eles tinham que se comportar de certas maneiras ou os deuses ficariam infelizes e então haveria uma colheita ruim... Ou algo parecido. É exatamente a mesma ideia apresentada em sua sociedade por autoridades religiosas que exigem que você pense, acredite e aja de certa forma e diga apenas certas coisas aprovadas. Se você sair dos limites que estabeleceram, dirão que você desagradará a Deus, que então tornará sua vida difícil ou até mesmo fulminará com pestilência e fará você morrer. E então, claro, você seria atormentado pela agonia por uma eternidade. É a mesma história de manipulação e controle de novo. A única diferença é que as religiões mais recentes talvez sejam um pouco mais cruéis e violentas em sua punição imaginada para aqueles que não fazem o que exigem. Mas não importa. Tudo isso é igualmente equivocado. Deus não cria regras estritas para você seguir. Em vez disso, Deus lhe dá livre-arbítrio. Deus não é uma criança petulante que faz birra quando você usa o livre-arbítrio. Deus não é um sádico vingativo e cruel que lhe machuca por cometer erros de julgamento muito humanos e normais. Você se prejudica por esses erros e é absolutamente garantido que você aprenderá com seus erros no final e, com um pouco de tempo, tomará decisões melhores. Então, qual seria o sentido de lhe punir?
Punição não ensina nada. Deixar você obter exatamente o que criou é o que ensina. Deus certamente não é desatento, ignorante ou pouco inteligente. Deus não fará o que não funciona.
Toda a noção de blasfêmia e punição divina além de não ter mérito, também contravem diretamente o que Deus é e como Deus age. Deus é um com você e Deus está além do desejo de odiar ou punir a Si mesmo.
Se há algo que possa ser chamado de blasfêmia, então é afirmar que a blasfêmia existe. (ele sorri)
Z: Tudo bem. Estou pronto para aceitar isso. Então, claramente, não seria um pensamento blasfemo pensar que o melhor lugar para descobrir Deus é olhar para dentro do meu próprio coração, não?
A-D: Com certeza não! Lembre-se de um dos meus velhos favoritos: não dizem que você foi feito à imagem de Deus? Não é outra forma de dizer: "Se você quer ver a imagem de Deus... então olhe pra você!"
Z: Ah. Sim. Acho que sim.
A-D: De novo. Não estou falando apenas do seu corpo físico. Quero dizer aquilo que você realmente é. Sua essência mais verdadeira e profunda. Se for assim, então esforçar-se para compreender verdadeira e profundamente sua própria essência é buscar conhecer Deus.
Z: Ah! Faz sentido. Mas todos nós somos Deus. Digo, tudo é. Então, por que não posso começar a descobrir Deus olhando ao meu redor para outra pessoa ou para a natureza ou algo assim?
A-D: Você pode tentar. E funcionará se observar ao seu redor lhe ajudar a compreender melhor a si mesmo. Veja, você não consegue entender algo em outro se não tiver antes visto isso em si mesmo e ficaria apenas confuso.
"Como podem ser assim?" Você se perguntaria enquanto se afastasse, balançando a cabeça. Se, no entanto, você viu isso em si mesmo, então poderá ter empatia pelo outro. Você lhes presenteará com sua compreensão e pode até ajudá-los a se entenderem também. Então, a autodescoberta é a chave. E o amor-próprio é a porta. E a autoaceitação é como você passa pela porta. E essa é a jornada para a qual você foi criado. Veja, não apenas Deus olha para o mundo através dos seus olhos, mas, ao olhar pela sua perspectiva, Deus olha para si mesmo. Assim, você presenteia a Deus com uma nova perspectiva de Si mesmo sempre que você descobre um pouco mais sobre você mesmo.
Z: Ei, isso é bem legal! Significa que Deus está em um processo constante de Autocriação e Autodescoberta como resultado de todos os processos nos quais estamos todos envolvidos.
A-D: Sim! Somos Deus descobrindo a Si mesmo.
Z: Então, todos nós juntos estamos envolvidos no mesmo grande trabalho?
A-D: Sim. Até mesmo os aspectos de Deus que parecem fazer as coisas piores e mais sombrias. Até eles estão criando uma oportunidade de autodescoberta. E fazem isso diretamente por meio de suas próprias experiências, enquanto crescem e se descobrem, e também indiretamente porque oferecem aos que são orientados para a luz a oportunidade de se definirem e se descobrirem em oposição à escuridão. Se não houvesse um inimigo grande e poderoso, você nunca teria a oportunidade de descobrir que é corajoso, que se levantaria e faria a coisa certa contra todas as probabilidades. Se ninguém fizesse o mal, como você decidiria fazer o bem? E assim por diante. Os escuros são tão valiosos para o processo maior quanto os da luz. E se você está jogando um jogo escuro, então a alegria de mudar de rumo e voltar à luz é sublime. E claro, realmente não existe algo como os “das trevas” ou os "da luz". Não de verdade. Vocês todos carregam os dois estados dentro de si. Todos vocês, em algum momento nas suas encarnações e até mesmo nesta vida, fizeram coisas muito pouco amorosas e passaram por um lugar "escuro". E todos, por mais " escuros" que sejam, em algum momento se virarão e voltarão para a luz. Se não for nesta vida, será em algum momento futuro. Eu digo que todos são um. E todos nós estamos envolvidos, cada um à sua maneira, no processo de descoberta de quem realmente somos. E, ao fazer isso, estamos em um processo de criação constante. E esse é o nosso serviço a Deus.
Z: Me agrada pensar nisso. Obrigado por essa perspectiva incrível. Mas ainda resta um último obstáculo para eu aceitar sua premissa de que tudo é um. Essa crença me parece que significa que não há bem e mal, nem certo e errado. Que podemos simplesmente fazer o que quisermos, do jeito que quisermos, para quem quisermos e que todas as coisas serão aceitáveis para Deus. E isso não me parece certo. Essa coisa de "tudo é um" parece levar a uma postura bastante amoral.
A-D: Só porque você entendeu errado. Façamos uma pausa, pois sinto que já abordei a questão, defendendo que Deus é um com tudo da perspectiva religiosa. Agora você está fazendo a pergunta perfeita para me levar diretamente ao próximo tema, "As Implicações da Unidade". Você tocou em uma questão importante, que é a questão da moralidade e das regras para viver. Porém, sua suposição está incorreta e gostaria de corrigi-la, mas no próximo capítulo...
Texto original em inglês no Capítulo 5 do Livro 1 dos Documentos da Ascensão https://zingdad.com/publications/books/the-ascension-papers-book-1